Oi, gente! No início do mês eu propus a vocês que escrevêssemos um conto de terror para o concurso cultural que estava acontecendo no blog Pausa para um livro, não sei se algum de vocês se animou, mas eu enviei o meu. E é com muita alegria e empolgação que venho contar a vocês que EU GANHEEEEI! HAHAHAHAH
Sei que pode não parecer muita coisa, afinal foi um concurso pequeno (o prêmio são dois livros: Nosferatu e Amaldiçoado, ambos do Joe Hill), mas é a primeira vez que tenho algum reconhecimento de verdade pela minha escrita que não venha de amigas minhas, mas sim de uma "comissão julgadora". Então sim, eu fiquei muuuito feliz.
Não tenho muito conhecimento na área de terror, mas já li alguns thrillers psicológicos, então foi o que eu fiz, ou pelo menos tentei fazer. O resultado foi o conto intitulado Caça ou caçador e eu vou disponibilizar ele aqui para quem tiver interesse em ler. Espero que gostem e não esqueçam de deixar seus comentários!
A médica ajeita os óculos e se inclina sobre a mesa, com um sorriso que deveria parecer gentil, mas seus dentes são brancos demais, sua proximidade é intimidadora.
— E então, como se sente hoje?
Minha vista repousa em meu colo, onde minhas mãos estão apoiadas. Elas parecem limpas, mas ao fechar os olhos por um segundo sequer, ainda vejo o sangue seco embaixo das unhas roídas. No plano de fundo, o vestido que um dia tinha sido branco, rasgado e coberto de lama. Abro os olhos e respiro fundo.
— Eu estou bem, doutora — respondo com um sorriso forçado para lhe agradar.
Ela vira para a janela e fica um tempo pensando antes de falar.
— Hoje é sua última sessão, Luiza. Preciso que você me convença que está bem de verdade, se não fizer isso, não vou poder te liberar.
— E o que acontece comigo se você não me liberar? — A pergunta foi retórica. Eu sei muito bem para onde vão me mandar caso ela decida que eu não sou mentalmente estável.
— Isso é o juiz quem vai decidir. — A cadeira se volta novamente em minha direção e seu olhar é pesaroso. — Sei que é difícil falar sobre isso, mas você precisa tentar, todas as vezes que você veio aqui só me disse que estava bem. Isso não vai te ajudar em nada, se quer voltar para casa precisa me contar o que aconteceu.
— Eu já disse que não me lembro.
Sua mentirosa.
— Isso é normal, Luiza. Pessoas que passam por situações de estresse intenso tem tendência a rejeitar memórias que causem angústia ou medo. Seu subconsciente está tentando te proteger do trauma que você vivenciou, mas se você guardar isso dentro de você, talvez nunca seja capaz de esquecer completamente, colocar esse episódio da sua vida para trás.
Minhas mãos soam frio, meu olho direito começa a palpitar. Não quero lembrar. Não consigo esquecer. Preciso seguir em frente.
Não é tão fácil quanto achou que seria, não é?


