[Aperta a tecla] Contos escritos pelos leitores no mês de julho

31 julho 2015
Hello! Já falei a vocês sobre o conto que eu escrevi aqui, mas agora é hora de mostrar o que vocês escreveram :) Hoje é o último dia do mês então mesmo só tendo recebido dois contos, vou compartilhar eles agora mesmo. 

Vamos lá então. O primeiro conto que recebi foi o da Bruna Gabrielle, do blog Café com leite. Ela é mineira, tem 14 anos e seu passatempo favorito é ficar escrevendo tanto pro blog quanto pra ninguém ver. Ler livros é uma diversão para ela. Confiram o conto:

Estava eu de novo sentada na minha penteadeira rocha, olhando para o espelho. Não estava me admirando, mas me menosprezando. Essa parte do meu rosto toda deformada e minha cabeça sem cabelo, meus olhos que eram verdes radiante, já não estavam tão assim mais, minha boca também era de um vermelho vívido, mas agora tá quase um cinza. Estou parecendo a morte, não que eu já tenha a vista, mas quase cheguei pero dela.Tudo por que? Não gosto muito de compartilhar minha história, porém com vocês vale.

Lembro que estava na nossa casa de praia, minha mãe, meu pai e meu irmão, estávamos felizes, sempre costumávamos a fazer essa viagem nas férias, era a parte que mais gostava. A música que sempre tocava no carro era uma do B. B. King, que meu pai amava. Só que dessa vez foi meio estranho, no rádio só falava de certas disputas de poder, que talvez aconteceria uma guerra nuclear e essas coisas assim. Claro que nós ficamos assustados, mas como já estávamos a caminho, não poderia voltar.

Nossa noite foi bem tranquila,até de mais. Pois sempre na praia havia pessoas na areia, dançando, fazendo um luau. Acordei 8h, não pense que é cedo, gostava de aproveitar o máximo com a família, tomei meu café saudável e fui passear na beira da areia. "Estranho"- pensei, ninguém na praia de novo? Mas lá longe, vi, na verdade não sei se era uma pessoa, estava muito estranha, toda deformada, sangrando e acenando e gritando pra mim. Só fiquei olhando de longe, porém, depois que veio correndo atrás de mim, fui direto para casa avisar aos meu pais. Entretanto, na hora que eles saíram já não tinha ninguém mais.

Eles acharam que eu tinha ficado louca, mas logo em seguida sentimos o chão tremer ouvimos um barulho bem alto. Meu Deus, foi um desespero, corremos para casa nos enfiamos debaixo da cama. Segundo, terceiro, quarto tremor distante,mas o quinto foi inevitável de não sentir, foi bem perto da nossa casa.Só vi pedaços da minha casa pra todo lado, o desespero dos meus pais de tentarem nos salvar. "Corram filhos, se escondam". Travei na hora, o que iria fazer? Deixa-los lá? Não podia fazer isso,precisava deles em meu dia-a-dia. Só lembro de tudo escuro e acordar em um hospital muito estranho, enfermeiras com quatro olhos, três braços.

Perguntei aonde estava, me disseram que era Notório, nunca havia ouvido falar desse planeta, mas é nele que vivo até hoje. Em uma clínica, eles acham que sou doida, não acreditam que sobrevivi a uma explosão nuclear, mas eu sei muito bem o que eu vi, o que passei. E essa penteadeira rocha é a única coisa que tenho que me lembra a vida feliz que eu tinha na Terra, meu irmão não sei onde está, meus pais devem ter morrido ou estão preso em meio a uma luta constante. Não sei como vai ser minha vida daqui pra frente, só quero que melhore. "Ok, agora pode se sentar Taylor, obrigada por compartilhar a sua história conosco. Quem será o próximo a falar a sua?"

Também recebi o conto da Fabiana Perez Sanchez, do blog Língua e literatura. A Fabi é professora, formada em Letras na USP, e depois que virou mamãe não consegue mais parar de escrever. É resenha, poesia, contos, crônicas, artigos de opinião, recadinhos e posts por todos os lados! Confiram:

Fazia uma manhã ensolarada, afinal, é Natsu em Hiroshima e logo os festejos do feriado de Natsu Yasumi começariam, e tudo se iluminaria como de costume de todos os agostos de todos os anos de verão.

Satisfeita e entorpecida após uma noite farta de caça, descansava a cabeça sob sua asa, uma linda Tyto Albas, lá no alto da torre da igreja, em seu ninho emplumado, em proteção à ninhada de dois ovos que logo rachariam, dando continuidade à vida.

Cara branca e redonda emoldurada de penas ocres, com um bico curvo apontado para si próprio, puxando a moldura de sua testa para baixo, como um coração. As corujas-de-Torre tem por hábito formar um único casal por toda a vida. Talvez seja a forma de seus rostos que as levem a um sentimento único de união.

O seu par deveria estar a caça da última refeição. Logo voltaria para o descanso. Logo estariam, novamente, ambos a chocar os ovos. Escondidos do sol, do calor, de tudo. Protegidos atrás da sombra da torre da igreja.

Lá embaixo a cidade já estava desperta há algumas horas. Todos correndo com seus afazeres: Indo ao trabalho, cuidando de suas famílias, indo às compras...

Um avião passou barulhento e fez com que o animal se estremecesse, mas já era de conhecimento que naquela época de festa, os fogos de artificio eram barulhentos e causavam uma luz piscante e colorida.

De repente: LUZQUECEGA!

E nunca mais aqueles dois animais se encontraram, e a esperança de vida daqueles ovos nunca tiveram a chance de chegar a ser.

E do feriado de verão de Hiroshima, restou apenas alguns destroços da igreja.

E então, o que acharam dos contos? Eu já deixei minha opinião do blog das autoras, compartilhem também as suas! Se você também está participando do projeto e ainda não escreveu o conto de julho, responda nos comentários que eu atualizo aqui.

Semana que vem eu divulgo para vocês o tema do projeto de agosto, mas já vou logo adiantando que vai ser um verdadeiro desafio! Fiquem ligados, beijos!

[Atualização] Recebi mais um conto! Dessa vez a autora foi a Camila Correa do blog Calmomila. Ela tem 17 anos e criou seu blog em junho de 2014 para compartilhar seus sentimentos, ideias e inspirações. Confiram o conto maravilhoso que ela escreveu:

A notícia de que os governantes mais poderosos tomaram essa decisão extrema de 'reiniciar' o mundo, como um computador que acabou de ser atualizado, deixou todos com medo. Deveras, né? Medo de morrer todo mundo tem, já que não fomos feitos pra isso. Eles selecionaram apenas um casal pra continuar vivo e reencher o planeta, o que nos fez ter certeza de que essa decisão foi planejada há muito tempo. O casal teve seus genes modificados pra serem perfeitos. E, aparentemente, são. 

A moça é ruiva e tem um sorriso tão branco quanto os mostrados em propagandas de creme dental. Seus cabelos são lisos e compridos e seus olhos são mil vezes mais verdes do que a grama, agora amarelada, do Central Park. Ela é alta e esbelta, com certeza capaz de despertar inveja em qualquer mulher. Já o rapaz tem a pele morena e os olhos tão azuis quanto o Pacífico. Ele tem uma feição confiante, e seu corpo , nem tão magrelo, nem tão musculoso, parece encantar moças do mundo inteiro. O que há em seus cérebros e os faz tão diferentes de qualquer um de nós ninguém sabe, e nem vai saber.

Da janela do meu quarto dá pra ver as pessoas correndo de um lado para o outro, em desespero. A maioria começa a tirar a própria vida de algum jeito rápido, mas ainda há quem busque um lugar seguro, que cá entre nós, não vão encontrar. Eu poderia fazer o mesmo, ou estar como a Natasha do Capital, que só queria dançar. Mas não. Estou aqui, encolhida num canto escuro da casa, como quando eu era criança e fazia algo errado. Minha mãe está ao telefone, ligando pra meio mundo de gente, um modo bobo de se despedir.

Meu cabelo está preso em um coque no alto da cabeça e meu rímel está borrado, mas nada disso importa no momento. Não importa que curso você fez na faculdade ou ou quantos livros leu. Não importa quantas línguas diferentes fala, pra onde viajou nas últimas férias ou que problema de vista você tem. Não importa se você tem não amigos na escola ou se acha seu sobrenome feio. Nada disso faz a mínima diferença agora. 

Lágrimas salgadas escorrem pelas minhas bochechas e um nó se forma em minha garganta. Tento engoli-lo, mas parece impossível. Fecho os olhos e tento não pensar em nada, mas isso também parece impossível. As palavras que nunca disse agora martelam em minha mente. Todos os meus erros parecem pesar uma tonelada, e os conselhos que decidi não seguir agora fazem um pouco mais de sentido. Agora nada pode mudar nada. Nada mais importa. Acabou.

Os noticiários informaram que daqui a pouco haverá a explosão nuclear que nos dará um novo começo. Mas acho que ela já aconteceu, sabe? Aqui, dentro de mim.

12 comentários

  1. Que post legal :) adorei a ideia. Eu gostei mais do primeiro conto, mesmo os dois sendo ótimos. parabéns. bj

    @saymybook
    saymybook.blogspot.com

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  2. Oi, Ma!!!

    Obrigada por compartilhar o meu pequenino conto! Ficou bom o post, em? Eseprando as próximas ordens! :D
    Bjks e Boas Leituras!

    www.linguaeliteratura.com.br

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    1. De nada, Fabi! Eu que agradeço :)
      Beeijos ;*

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  3. Oii, tudo bom?
    Está muito lindo seu blog.
    Marquei você em uma Tag em meu blog, dá uma olhadinha depois la.
    Beijos
    http://saymybook.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada, Denise! Vou dar uma olhada sim, valeu por me marcar :)
      Beijos!

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  4. Adorei essa categoria, continua com ela! Ah, e que gurias que têm talento essas! Adorei os contos! <3

    Beijão, Guta! ♥
    www.opinada.com

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    1. Obrigada, Guta! Que bom que gostou, espero que volte :)
      Beijos!

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  5. Olá, tudo bem?

    Que post mais legal, os contos são super bem escritos. Parabéns aos autores!

    Beijos, And!

    Blog Cantinho da And

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  6. Má!!!!

    Fiz a resenha de seu conto! Veja o que achou! Espero que seja um estouro de vendas!
    Bjks e Boas Leituras!

    http://www.linguaeliteratura.com.br/2015/08/um-comeco-depois-do-fim-de-marina-ramos.html

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    1. Own, muitíssimo obrigada, Fabi! Beijããão ;*

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